Pensa-se frequentemente que a tecnologia e a arte mais tradicional funcionam em direções opostas, mas quando combinadas são o complemento perfeito. Graças à tecnologia, alguns peritos puderam ver para além da última camada de tinta. Assim, descobriram alguns segredos escondidos em obras de arte.
6 Segredos escondidos em obras de arte
Existem muitas variantes da tecnologia utilizada no mundo da arte. Cada vez mais restauradores e peritos estão a tentar descobrir como funcionaram os grandes génios da história da arte: projectos inacabados, piadas nas oficinas de arte ou mensagens em código são algumas das coisas que encontraram. Aqui estão 5 segredos escondidos em obras de arte:
1. Dama com Arminho

Dama com Arminho, Da Vinci (1489-1490)
Começamos as revelações com um dos artistas mais notáveis da história da arte, Leonardo da Vinci. A descoberta de Dama com Arminho mostra-nos que Da Vinci também era humano. Foram necessárias várias tentativas do artista para alcançar o resultado final. Ao longo da criação do quadro, o pintor teve de mudar a posição do braço da jovem. Consegues imaginar o que teria sido de Dama com Arminho sem o arminho?
A técnica que tornou possível descobrir a mudança posicional do braço direito da jovem mulher é o Método de Amplificação de Camadas (LAM em inglês). Este método foi criado pela equipa de Pascal Cotte e utilizado nesta tela para revelar um dos segredos mais importantes. Graças a eles, podemos aproximar-nos um pouco mais dos processos criativos de Da Vinci.
2. The Blue Room

The Blue Room, Pablo Picasso (1901)
Continuamos com Pablo Picasso e o seu trabalho The Blue Room. Neste caso, foi a técnica de raios X e infravermelhos que nos permitiu descobrir que a jovem solitária de Picasso não estava originalmente sozinha.
A primeira suspeita surgiu em 1990, quando uma imagem desfocada apareceu atrás dos lençóis do berço, no fundo da sala. A imagem não se tornou clara até 2008 graças a Patricia Favero, da colecção Phillips. Patricia trabalhou com raios infravermelhos até descobrir quem estava escondido na cama da obra.
A espectroscopia fluorescente permitiu-nos descobrir o cavalheiro vislumbrado a observar à jovem mulher. No entanto, continua-se a trabalhar no quadro para obter uma imagem mais bem definida do “estranho”.
3. O Sacrifício de Vesta

Francisco de Goya também nos surpreendeu mais de dois séculos após a sua morte com uma nova pintura. Aparentemente anónimo, O Sacrifício de Vesta não forneceu qualquer informação sobre quem o poderia ter pintado. Neste caso foram os cientistas da Universidade de Barcelona que descobriram a rubrica. Graças à projecção de ondas terahertz, foram encontradas indicações de que a obra poderia ter sido assinada pelo artista.
4. Velho em Vestimentas Militares

Velho em Vestimentas Militares, Rembrandt (1630–31)
Se alguma vez sentiste a necessidade de reutilizar uma tela semi-acabada para uma nova criação, não te preocupes, isso significa que estás mais próximo do grande Rembrandt Harmenszoon van Rijn.
Sabe-se que muitos artistas foram obrigados a reutilizar uma tela, quer por falta de recursos financeiros, quer por uma mudança de planos após um primeiro esboço. O que não é assim tão usual é que Rembrandt teria recomeçado uma obra quando tivesse outra numa fase tão avançada.
Por detrás das últimas camadas de Velho em Vestimentas Militares, “uma jovem com um vestido cinzento” aparece inacabada, mas com um elevado nível de definição nas linhas que compõem o seu rosto. Neste caso, nunca se suspeitou que pudesse haver esta dupla obra nesta tela, uma vez que os tratamentos infravermelhos que tinham sido utilizados para a restauração das obras não tinham permitido que esta descoberta fosse feita.
Foi a análise macroscópica da fluorescência de raios X que levou à descoberta do outro retrato. Os especialistas salientam que a dificuldade reside no facto de ambos os retratos terem sido pintados nas mesmas gamas cromáticas, tendo a semelhança entre os pigmentos feito com que o primeiro trabalho passasse despercebido durante tanto tempo.
5. Baco

Baco, Caravaggio (1595)
Desde 1922, a curiosidade tem rodeado a obra de Baco pintado em 1595 por Michelangelo Merisi da Caravaggio. O mistério deve-se ao facto de se ter pensado que por baixo da pintura visível poderia haver outra obra. Com os avanços tecnológicos descobriu-se que não se tratava de outra obra, mas da mesma obra. O Baco foi restaurado várias vezes, mas nem todas com sucesso.
Foi feita tanta investigação sobre o trabalho que o mistério que sempre tinha sido procurado nele finalmente emergiu. Um auto-retrato engraçado do pintor é retratado no jarro de vinho. Caravaggio quis participar e aparecer no retrato do Deus do Vinho e da Festa de uma forma original. Decidiu imergir a sua própria figura no jarro de Baco.
6. Patch of Grass

Patch of Grass, Van Gogh (1887)
A vida agitada e excêntrica de Vincent Van Gogh não podia faltar nesta lista de curiosidades sobre as telas mais cheias de segredos. Em 2008, a Universidade de Tecnologia de Delft investigou o trabalho do holandês Patch in the Grass. Nela encontraram um remendo anterior, como muitos conhecedores tinham suspeitado.
O segredo de 1887 veio à luz graças à tecnologia avançada de um processo baseado em raios X que mede a composição dos pigmentos. Assim, descobriram a anomalia do trabalho. Um retrato claro de uma mulher muito reconhecível que nos obriga a ver a paisagem com uma curva de 90º.
Por muito que conheçamos os grandes artistas, eles nunca deixarão de nos surpreender. Em primeiro lugar com as suas pinceladas visíveis, mas também com todos estes segredos escondidos em obras de todo o tipo. Se quiseres saber mais, não percas o nosso post sobre Las Meninas de Velázquez. Conheces de mais trabalhos escondidos sob as pinceladas de outros artistas?

2 respuestas a "6 segredos ocultos em obras de arte"
Excelente postagem! Só demonstra que os artistas não atiram com as tintas para um suporte e que magicamente a obra aparece; mas que há muito trabalho: esboços, estudos, erros, acertos, trabalhos inacabados, até que uma obra seja apresentada como tal.
Pois é, Sergio!!!
Explicaste muito bem, não há magia, há trabalho!
Cumprimentos!