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Como compreender a arte contemporânea

“Qualquer um pode pintar isso!”, “O meu filho faz coisas melhores!”, “Isto não é arte, é um roubo!”… Estas são algumas das frases mais repetidas nas galerias de arte e museus contemporâneos, em todo o mundo. Mas, será uma crítica precisa ou irreflectida?

Neste post vamos tentar dar algumas pinceladas para nos ajudar a compreender um pouco melhor o que é a arte contemporânea e como apreciá-la um pouco mais. Compreender a arte contemporânea ou a sua intencionalidade não significa que vamos começar a gostar dela ou que nos vamos tornar críticos desta corrente. Com este tutorial queremos dar valor à arte contemporânea para que cada um possa julgá-la e avaliá-la a partir da sua própria experiência.

Sentimento sobre racionalismo

O primeiro ponto na compreensão da arte contemporânea é que não há nada para compreender e, ao mesmo tempo, uma janela para a compreensão.

Ou seja, como regra geral, uma obra contemporânea não pretende ter um único propósito, não pretende reflectir a realidade como a arte hiper-realista pretende, não pretende demonstrar o sentimento do todo com unidades individuais como o pontilhismo pretende, não pretende exaltar os atributos de um certo carácter… A arte contemporânea, e especialmente a abstracta, é uma forma de expressão livre que flui do interior do artista para comunicar com os espectadores de uma forma individual, de acordo com o que o receptor quer ou pode interpretar no momento em que observa a peça. Como exemplo, tomaremos este trabalho que todos podemos interpretar à vontade:

No caso de alguém não ter muito claro sobre o que transmite, vamos dar-lhe uma pequena ajuda: o trabalho é catalogado dentro das secções de nu e é chamado “A Orgia”.

Não precisa de agradar

De acordo com o ponto anterior, a arte contemporânea não é criada com a intenção de agradar (embora logicamente seja uma obra de arte), ela nasce com a intenção de transmitir. Conduzir o espectador a uma reacção, partilhar um sentimento como raiva, solidão, amor, paixão… Geralmente de uma forma muito explosiva e intuitiva, mas noutras ocasiões surge como resultado de uma análise consciente de uma posição, de um contexto ou com a intenção de criticar uma situação específica. Um grande exemplo disto é a “Merda de Artista” de Piero Manzoni.

O desafio faz parte do jogo

Provocação, pura provocação. Em muitas ocasiões é este sentimento que leva o artista à criação de obras, uma intenção de gerar sentimentos que por vezes são contraditórios no espectador. O importante é que o trabalho consiga dizer algo, que gere um sentimento no espectador. Por vezes este sentimento não é muito agradável, outras vezes é extremamente agradável, mas em quase nenhum caso gera um sentimento de indiferença.

A provocação envolve em muitos casos a utilização de elementos que não seriam considerados artísticos ou a extrapolação de conceitos quotidianos, elevando-os à categoria de uma obra de arte. Como exemplos, poderíamos tomar a série de Andy Warhol sobre a Sopa Campbell ou a série de balões gigantes de Jeff Koons:

A arte também pode gerar rejeição

Nem toda a arte é bela, nem toda a arte tem de ser apreciada. Além disso, em muitas ocasiões, mesmo dentro de períodos mais clássicos, temos certamente visto obras que têm gerado sentimentos desagradáveis em nós. Se não, levanta a mão se pensas que o “Saturno devorando um filho”, de Goya, é uma bela obra para admirar.

Em muitas ocasiões, a arte contemporânea, especialmente aquela que é mais abstracta por natureza, pode gerar rejeição. Um sentimento que não deve ser confundido com indiferença. Se uma obra cria um sentimento em nós, ela atingiu 50% da sua função. Nem toda a arte tem de gerar sentimentos positivos no espectador; rejeição, ódio ou angústia podem ser sentimentos igualmente válidos nesta corrente.

A moral que retiramos de tudo isto é que por detrás destes aparentes “rabiscos” existe um estilo, uma técnica e uma intenção que vem das mãos de um artista.

O que pensas? És um seguidor fiel da arte contemporânea? O que consideras ser o melhor museu desta corrente? Esperamos os vossos comentários!

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