Como sabemos que a maioria de nós totenaristas somos muito curiosos e adoramos descobrir movimentos artísticos novos ou pouco conhecidos, hoje trazemos-vos um que temos a certeza que já viram inúmeras vezes, mas talvez não tenham reparado no seu nome: retrofuturismo.

Podemos definir retrofuturismo como um movimento artístico ucrónico que utiliza eras passadas e conceitos futuros para construir a sua perspectiva artística. É talvez complexo compreender a partir de uma concepção estritamente pictórica, mas pode ser encontrado numa multiplicidade de campos como cartazes, cinema, banda desenhada, literatura, videojogos e festivais de música, entre outros.
Este movimento artístico e social apareceu pela primeira vez em 1983, graças ao editor Lloyd John Dunn, que decidiu dar-lhe um nome e, com ele, uma identidade. Mais tarde, seria este editor a tomar o nome para a publicação de uma revista.
Dentro desta corrente encontramos algumas variantes ou subgéneros sem os quais o retrofuturismo não se teria consolidado como tal.
Vertentes do retrofuturismo
As diferentes correntes do retrofuturismo são o resultado de uma evolução, uma vez que se trata de um movimento que se estende por várias décadas que poderíamos enquadrar desde Jules Verne até aos dias de hoje. Todos eles partem da mesma base que cria uma realidade baseada no passado e no futuro, ao mesmo tempo que bebe da imaginação e do fantástico:
1.- Steampunk
Surge da mente daqueles considerados os pais da ficção científica, tais como H.G. Wells e Jules Verne, numa altura em que a Revolução Industrial estava em pleno andamento e os motores a vapor estavam a assumir a tecnologia, substituindo as carvoeiras. Este período é caracterizado por mais elementos manuais sujeitos à literatura, encontramos peças de aço tratadas com leveza e os tons tendem a ser bastante quentes.

2.- Dieselpunk
Mudamos o período histórico para nos contextualizarmos entre os felizes anos vinte e a realização do Grande Sonho Americano, em oposição à Grande Depressão e à Segunda Guerra Mundial.
Dado que este é um género feito por e para sonhadores, as imagens que nos restam não reflectem a parte mais negativa deste período, mas actualizam uma forma de escapar a esta negatividade. Tendem a retratar os motivos mais festivos da época, tais como a música, o ambiente do swing e, logicamente, uma representação da Art-Déco.
Quanto à representação pictórica deste período, é também comum encontrar armas energéticas ou máquinas mais pesadas do que no período anterior.

3.- Atompunk
Como o nome sugere, passamos à Era Atómica, a era espacial, marcada pelo underground americano que durou até meados da década de 1960. Neste período tudo assume um tom volátil como se fosse um filme espacial, mas com elementos da terra, os tons mudam completamente e há um certo tom de harmonia nas peças. Este é o movimento mais conhecido dentro do retrofuturismo e um dos que melhor preservou a sua essência ao longo do tempo.

4.- Bitpunk
O último período compreende um ambiente um pouco mais cibernético, baseado em computadores, computação e computadores e luzes de néon.
Na esfera social, este período abrange muitas facetas diferentes que, de certa forma, se reflectem nas obras, tais como o movimento feminista, o aparecimento da SIDA como uma pandemia, a sombra do terrorismo internacional e as lutas contínuas pela igualdade em questões de direitos humanos. Fazem com que este período acabe por adoptar muitos temas diversos, enriquecendo o género mas dissipando os limites do Bitpunk. É por isso que este estilo tem sobrevivido melhor em literatura ou videojogos do que no campo pictórico.

Como pudemos observar ao longo desta viagem, o Retrofuturismo nasce num período que pretende realçar os elementos do passado num futuro mise-en-scène. O difícil não é fazer este simbolismo de épocas, mas fazê-las mudar no presente.
O que achas? Consideras que o Retrofuturismo está presente na nossa vida quotidiana? Em que campos pensas que tem a maior influência? Aqui deixamos os melhores materiais para Belas Artes:
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