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A união de arte e cultura num mundo mutável

O que é a cultura e como é que afecta a arte? De acordo com a Infopédia, da Porto Editora, a cultura é um conjunto de costumes, de instituições e de obras que constituem a herança de uma comunidade ou grupo de comunidades. Também definida como um sistema complexo de códigos e padrões partilhados por uma sociedade ou um grupo social e que se manifesta nas normas, crenças, valores, criações e instituições que fazem parte da vida individual e coletiva dessa sociedade ou grupo.

Quer queiramos quer não, a cultura que temos afeta a nossa vida quotidiana. Da língua que usamos para nos expressarmos, dos livros que lemos, dos filmes que preferimos… tudo o que gostamos e como o fazemos é marcado pela cultura em que nos desenvolvemos. Mas esta questão é ainda mais profunda: a cultura é transferida para aquilo que fazemos, pensamos e sentimos a qualquer momento.

As artes muitas vezes não respondem às necessidades de utilização que os desenhos ou produtos industriais têm, contudo, representam outro tipo de utilidade para os/as humanos/as: o desenvolvimento da sensibilidade, criatividade e imaginação, também a renovação de valores e hábitos estéticos de apreciação. As artes oferecem-nos a busca incessante de um conhecimento especial sobre o ser humano e as suas sociedades, conhecimento que não é comparável com o fornecido pela ciência ou pela filosofia. No entanto, tem havido diálogos muito frutuosos e influências recíprocas entre as artes e outras disciplinas científicas e humanistas. As manifestações artísticas são também produtos de inspiração enquanto se inspiram noutros produtos e manifestações da cultura estética, tais como artesanato e as bandas desenhadas, para citar alguns exemplos.

O domínio ocidental da arte

Neste sentido, e dado que entendemos a arte como uma dimensão de muitos fenómenos sociais, ela não pode ser separada do conceito de globalização cultural, que está intimamente ligado ao estudo dos processos históricos, económicos, políticos, financeiros e sociais. No entanto, num mundo onde a cultura ocidental domina e destrói as culturas indígenas, a homogeneização cultural e artística está a aumentar. Por exemplo, uma língua morre a cada 14 dias e no próximo século cerca de metade das 7.000 línguas do mundo desaparecerão a favor do inglês, o mandarim e o espanhol.

«Ao longo dos anos, ensinei aos meus filhos a importância da diversidade cultural na nossa própria comunidade, país e em todo o mundo. No entanto, a cultura humana está sujeita a mudanças, e deve evoluir para longe de tradições discriminatórias, desumanas ou prejudiciais ao ambiente. Mas as artes, religiões, contos orais, histórias e património cultural de diferentes povos devem ser preservados como um aspecto valioso da humanidade» – Lori McNee

As mudanças culturais têm acompanhado o comércio e a ingerência política em todos os continentes de formas complexas. A reflexão e evolução da cultura está profundamente ligada ao desenvolvimento da tecnologia e ao avanço colonial que colocou os europeus em contacto com diferentes costumes e formas de viver e resolver os problemas alheios.

A realidade é que a globalização também não pode ser separada dos fenómenos artísticos, uma vez que trouxe consigo uma assimilação cultural urbana. Neste sentido, a explosão demográfica, o impacto crescente dos jovens na organização familiar, a estrutura do trabalho, entretenimento e lazer assumiram novas formas em parte devido ao processo de globalização existente.

A época artística actual

O cenário actual é a evidência da época do planetário, o global, onde o domínio ocidental é mais evidente do que nunca no mundo da arte. Talvez em nenhum outro campo esta supremacia esteja tão claramente reflectida. O domínio do mundo da arte ocidental, através dos seus museus, galerias e críticos, é constantemente obrigado a encenar obras de arte que reflectam outros mundos.

Por outras palavras, o discurso artístico do mundo oriental foi tomado unilateralmente pelo mundo ocidental de uma forma clara e absoluta. Não só é o porta-voz auto-imposto, como também se tornou o filtro inevitável para uma grande parte do planeta.

É a arte um reflexo dos fenómenos sociais existentes? O que acham?

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