{"id":17575,"date":"2021-02-02T11:34:36","date_gmt":"2021-02-02T10:34:36","guid":{"rendered":"https:\/\/totenart.pt\/blog\/?p=17575"},"modified":"2022-08-03T13:27:58","modified_gmt":"2022-08-03T11:27:58","slug":"laca-garanca-historia-da-cor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/totenart.pt\/blog\/tutoriais\/laca-garanca-historia-da-cor\/","title":{"rendered":"Laca Garan\u00e7a ou Alizarina, hist\u00f3ria da cor"},"content":{"rendered":"<p>Esqueletos vermelhos com mais de 2000 anos, as ru\u00ednas de Pompeia e o t\u00famulo de Tutankhamun. Exemplos que demonstram a antiguidade e diversidade do uso da laca garan\u00e7a e da planta a partir da qual a cor foi originalmente feita:<\/p>\n<h2>Dos esqueletos vermelhos \u00e0 pintura art\u00edstica de alta qualidade<\/h2>\n<p>Desde os tempos antigos foi extra\u00eddo um corante vermelho das ra\u00edzes da ruiva-dos-tintureiros, assim conhecida popularmente <em>(rubia tinctorum).<\/em> Esta planta \u00e9 nativa da \u00c1sia Oriental e da regi\u00e3o mediterr\u00e2nica:<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-17578\" src=\"https:\/\/totenart.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/laca-de-grazna-historia-totenart-2.jpg\" alt=\"\" width=\"259\" height=\"337\" srcset=\"https:\/\/totenart.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/laca-de-grazna-historia-totenart-2.jpg 350w, https:\/\/totenart.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/laca-de-grazna-historia-totenart-2-231x300.jpg 231w\" sizes=\"auto, (max-width: 259px) 100vw, 259px\" \/> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-17579\" src=\"https:\/\/totenart.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/laca-de-grazna-historia-totenart-1.jpg\" alt=\"\" width=\"253\" height=\"337\" srcset=\"https:\/\/totenart.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/laca-de-grazna-historia-totenart-1.jpg 350w, https:\/\/totenart.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/laca-de-grazna-historia-totenart-1-225x300.jpg 225w\" sizes=\"auto, (max-width: 253px) 100vw, 253px\" \/><\/p>\n<p>Os seus corantes s\u00e3o muito adequados para tingir t\u00eaxteis e couro. De facto, <strong>os restos mais antigos conhecidos da utiliza\u00e7\u00e3o da laca <\/strong>s\u00e3o os seguintes:<\/p>\n<ul>\n<li>Primeiro, algod\u00e3o tingido da \u00cdndia (ca. 1760 a.C.).<\/li>\n<li>Depois um cinto encontrado no t\u00famulo de Tutankhamun (1350 AC).<\/li>\n<li>Tamb\u00e9m foram encontrados restos de tecidos em Pompeia.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Al\u00e9m disso, outras qualidades foram tamb\u00e9m atribu\u00eddas \u00e0 planta. Foi dito que o seu <strong>uso interno<\/strong> poderia curar icter\u00edcia, dist\u00farbios intestinais e ossos partidos.<\/p>\n<p>O seu <strong>uso externo<\/strong> era bom para entorses, feridas, chagas e picadas de serpente. A ruiva-dos-tintureiros tamb\u00e9m foi levada para outros fins n\u00e3o medicinais, especificamente <strong>para afastar os maus esp\u00edritos.<\/strong> Sabemos que o corante foi utilizado para estes fins a partir de esqueletos encontrados no Mar Morto. Estes datam de h\u00e1 mais de dois mil anos e destacam-se pela cor vermelha dos seus ossos, provenientes da ruiva-dos-tintureiros<\/p>\n<h3>Laca garan\u00e7a na arte pict\u00f3rica<\/h3>\n<p>At\u00e9 ao in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, o corante vermelho era utilizado para <strong>tingir t\u00eaxteis e couro e para fazer tinta vermelha.<\/strong> No in\u00edcio, este corante n\u00e3o era adequado para tintas espessas. Apesar da sua cor, n\u00e3o se dissolveu nos aglutinantes mais comuns, tais como \u00f3leo, goma ar\u00e1bica ou ovo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-17580 aligncenter\" src=\"https:\/\/totenart.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/laca-de-grazna.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"465\" srcset=\"https:\/\/totenart.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/laca-de-grazna.jpg 700w, https:\/\/totenart.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/laca-de-grazna-300x199.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/p>\n<p>No entanto, em 1804, o qu\u00edmico ingl\u00eas George Field descobriu que era poss\u00edvel produzir <a href=\"https:\/\/totenart.pt\/outras-pinturas\/pigmentos-em-po?utm_source=post&amp;utm_medium=tutoriais&amp;utm_campaign=laca-garanca\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">pigmentos<\/a> a partir do corante. Para este fim, atrav\u00e9s de uma reac\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, o corante foi fixado numa subst\u00e2ncia incolor que n\u00e3o se dissolveu nos aglutinantes acima mencionados. Tal pigmento \u00e9 chamado &#8220;pigmento lacado&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Esta \u00e9 a origem do nome laca garan\u00e7a:<\/strong> o corante da raiz da ruiva-dos-tintureiros transformada num pigmento de verniz. Como n\u00e3o se dissolve, a cor laca garan\u00e7a tamb\u00e9m era adequada para tintas espessas.<\/p>\n<h3>Laca Garan\u00e7a e Alizarina<\/h3>\n<p>O s\u00e9culo XIX foi uma era de grande prosperidade para a ci\u00eancia qu\u00edmica. Entre outras coisas, foram desenvolvidos e aperfei\u00e7oados m\u00e9todos para a decomposi\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias. Assim, em 1826, o qu\u00edmico franc\u00eas Pierre-Jean Robiquet descobriu quais os elementos na raiz da ruiva-dos-tintureiros \u00e9 que davam \u00e0 subst\u00e2ncia a sua cor vermelha. <strong>Deu o nome de Alizarina a esta subst\u00e2ncia.<\/strong> An\u00e1lises posteriores demonstraram os elementos que formaram a alizarina e em 1868 os qu\u00edmicos alem\u00e3es Graebe e Lieberman conseguiram elaborar o corante mas sinteticamente a partir do alcatr\u00e3o de hulha.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-17581 aligncenter\" src=\"https:\/\/totenart.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/alizarina-pigmento-totenart.jpg\" alt=\"\" width=\"700\" height=\"525\" srcset=\"https:\/\/totenart.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/alizarina-pigmento-totenart.jpg 700w, https:\/\/totenart.pt\/blog\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/alizarina-pigmento-totenart-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 700px) 100vw, 700px\" \/><\/p>\n<p>A partir desse momento, a utiliza\u00e7\u00e3o da laca garan\u00e7a natural diminuiu rapidamente. De facto, na pintura, apenas a variante sint\u00e9tica e o pigmento lacado s\u00e3o utilizados para pintura. <strong>Os nomes laca garan\u00e7a e Alizarina s\u00e3o utilizados indiferentemente<\/strong> para indicar a mesma cor. \u00c0 palavra Alizarina \u00e9 frequentemente acrescentada a palavra &#8220;crimson&#8221; <em>(provavelmente da palavra \u00e1rabe para &#8220;vermelho&#8221;).<\/em><\/p>\n<h3>Laca garan\u00e7a e resist\u00eancia \u00e0 luz<\/h3>\n<p>A resist\u00eancia \u00e0 luz dos corantes utilizados em pinturas e tintas deixa muito a desejar. Sob a influ\u00eancia da luz mostram sinais de desvanecimento num curto espa\u00e7o de tempo. <strong>A resist\u00eancia \u00e0 luz dos pigmentos lacados \u00e9 muito melhor, <\/strong>embora incompar\u00e1veis aos pigmentos mais s\u00f3lidos utilizados em algumas gamas.<\/p>\n<p>\u00c9 o caso <a href=\"https:\/\/totenart.pt\/oleos\/cores-oil\/oleos-rembrandt?utm_source=post&amp;utm_medium=tutoriais&amp;utm_campaign=laca-garanca\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">da marca Rembrandt<\/a> em que quase todas as lacas garan\u00e7a s\u00e3o feitas de pigmentos muito s\u00f3lidos que, em termos de sombra e transpar\u00eancia, quase n\u00e3o diferem das lacas garan\u00e7a tradicionais. No entanto, existem duas excep\u00e7\u00f5es nas seis lacas garan\u00e7a da gama <a href=\"https:\/\/totenart.com\/acuarelas\/colores-al-agua\/acuarelas-en-tubo-rembrandt?utm_source=post&amp;utm_medium=tutoriais&amp;utm_campaign=laca-garanca\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Aguarela Rembrandt.<\/a> A laca garan\u00e7a escura e a Alizarina crimson s\u00e3o feitas a partir do pigmento lacado tradicional.<\/p>\n<p>Conhecias a hist\u00f3ria desta cor? Aqui est\u00e3o os nossos pigmentos em p\u00f3:<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esqueletos vermelhos com mais de 2000 anos, as ru\u00ednas de Pompeia e o t\u00famulo de Tutankhamun. 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